A Coisa!

A "Coisa"!

Entre lágrimas e lamúrias,
A mãe chorosa estava a reclamar,
Da filha ingrata que nada sabia fazer.
Que sempre estava a desobedecer.
Esta “Coisa”, assim se refere,
A mãe ,quando da filha, estava a falar.
É uma Coisa que não serve para nada,
Esta Coisa tem 10 anos.
10 anos a incomodar.
Peço então, para com a filha falar,
Para o drama decifrar.
Chocada fiquei ao ver, o desenho que a filha fez.
Quando solicitei que desenhasse o que estava a atormentar.
No papel um desenho, retrato do que estava a envenenar.
Mais parecia uma ameba, o que consegui interpretar.
Ao perguntar o que significava o seu desenho?
Afirmou:
-Isto é uma “Coisa”!
Com expressão de dor e desanimo, mais uma vez disse:
- Esta “Coisa”! Sou eu.
A sua fala refletia o sentimento de derrota e desolação;
De tanto ser apontada, como uma “Coisa”,
Por muito tempo ser tratada, como uma “Coisa”,
A filha incorporava o papel de uma “Coisa”,
Como uma coisa, sem brilho e vitalidade, se tornava uma “Coisa”.
Oh! Peso terrível das palavras que estão a ceifar;
A expressão do ser, que apenas quer ser;
A castrar a criatividade, a inteireza do ser.
Palavras modeladas com argamassa,
Cimentadas ficam a determinar a vida de um ser.
Sem perspectivas, sem viço, sem amor,
No mar da dor e do desprezo, naufragou.
Oh! Peso sinistro das palavras que transformou a vida deste ser.
Tão simples seria se, na ciranda da vida deste ser,
As palavras modeladoras fossem flambadas com respeito e amor.
A vida seria exuberante;
Transformando-a num ser brilhante.

- Claudete de Morais 

  • imagem

Comentários

Roberto Orlando
19/02/2020
Lindo texto ! De fato as palavras têm poder. Principalmente aquelas palavras que são repetidas muitas e muitas vezes ao longo do tempo. Uma mentira repetida muitas vezes pode acabar sendo percebida erroneamente como uma verdade. Na infância, fase em que somos ainda mais permeáveis, são geralmente os pais que cometem esses erros. Mas os pais são os culpados que não têm culpa. Desconhecem os efeitos de suas palavras. O lado bom dessa estória é que sabendo escolher bem "o quê" e "como" falamos é possível influenciar positivamente, favorecendo o desenvolvimento mental e fisicamente mais sadio. Textos como esse deveriam ser leitura obrigatória . Parabéns Dra. Claudete.
Gustavo
13/03/2020
O poder das palavras né, boca tem poder!

Novo comentário

Observação: Seu comentário será moderado antes de ser exibido aqui.