Desempenho escolar: espelhos e retratos de crianças

Boletins escolares transformam-se em espelhos que retratam o mundo interior das crianças. Sua influência pode ser determinante na crença do aluno em seu próprio potencial. Os quais  poderão impulsionar o aprendiz ao sucesso, como também, ter um efeito destruidor.
Milhares de crianças buscam em seus espelhos (boletim escolar) reconhecimento e valorização, outros tremem de medo de verem evidenciada a confirmação de suas dificuldades, reforçando a convicção de sua incompetência e desqualificação. Estes sentimentos serão fortalecidos pelas respostas que virão do grupo familiar e escolar, através de aplausos, brigas ou da mais fria indiferença.
Questiona-se, o que leva a criança a ter problemas em seu desempenho escolar?
Inúmeros são os fatores apontados, porém creio que o maior peso concentra-se na: afetividade, autoestima e autoimagem. A aprendizagem passa pela afetividade. O afeto é motor que levará a criança a desejar desvendar o desconhecido, fomentando a sede do saber, consolidando a confiança em seu potencial natural, elevando sua autoestima. A ausência desta segurança poderá ser o desencadeante do fracasso escolar.
Ao longo de minha trajetória profissional, me deparei com uma multiplicidade de aspectos, intervindo nas percepções e avaliações que os alunos explicitavam de si mesmos, dos professores e dos pais, em relação ao desempenho escolar.
Constatei que muitas destas avaliações eram permeadas de dúvidas quanto ao próprio potencial, repassada em frases como: “nunca conseguirei aprender, sou burro, não dou para os estudos, vou desistir”. A fala dos alunos era permeada também, de incertezas, quanto ao fato de serem aceitos amados e compreendidos, gerando insegurança, encolhimento, ou agressividade. Essas angústias transformam-se em inibidores dos seus sentimentos
As dificuldades não estavam presentes apenas nas crianças, mas também, traduziam as amarras de alguns professores. Que eram seguidamente camufladas através de programas rígidos, de posturas autoritárias. A avaliação escolar era em determinados momentos, um instrumento castrador do brilho e da criatividade dos alunos.
Observei que o distanciamento, às vezes existente entre pais e filhos, era fruto da incapacidade em quebrarem as barreiras construídas pelo o medo, pelas fantasias, por frustrações vivenciadas. Romper com a inibição expressando com simplicidade seus medos, tais como: do fracasso, de não serem competentes, de não atenderem as expectativas dos pais. Este é o grande desafio.
É falando de nossas fraquezas, que faremos o enfrentamento das mesmas, diluindo-as. Tendo a compreensão de que os erros e as frustrações podem nos levar ao crescimento, pois instigará o nosso desejo de superação, robustecendo nossa capacidade de aceitar os desafios. Processo este que só será possível através do diálogo, da troca e do respeito pelo ritmo de cada um. Sugiro aos pais, que fiquem atentos a estas efígies, não com uma postura de cobranças, mas sim de diálogo, buscando a compreensão, fazendo as leituras de que estas imagens estão a expressar. Permitindo-se também a falarem sobre seus medos, para encorajarem os seus filhos a verbalizarem os seus, utilizando à linguagem do coração sendo esta a fala do entendimento e da aproximação.

Autoria: Claudete de Morais.

Psicóloga.

Doutoranda em Psicologia Clínica.

CRP/12/01167

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