Na Toca

NA TOCA

Na Toca ficamos na esperança de logo sair. O tempo passou e na Toca ainda estamos, sem saber a hora de partir. Entocados e pasmados com tudo que acontecia, era um vírus que nos sucumbia. Tivemos que aprender a lidar com o sentimento do medo, que é o mais assustador para o ser humano. Medo de morrer, pois o inimigo pode ser letal.

Tivemos que aprender a lidar com as inseguranças, pois nem as tocas que são os espaços onde as certezas moram, já não eram tão inabaláveis, pois a seguridade foi embora e só ficaram as incertezas.

Aprendemos a enfrentar a dor das mais diversas perdas: perdas de nossas rotinas, perdas do convívio com as pessoas que amamos, perdas financeiras, perdas das convicções, perdas da confiança em determinados seres humanos, e a mais sofrida de todas, a perda de entes queridos e de milhares de pessoas.

Entendemos que não temos o controle de nada, pois tudo é efêmero. Assimilamos a necessidade de o enfrentamento fazer, nos reinventando, deixando aflorar o nosso potencial que possivelmente estava adormecido dentro de nós. O importante é viver um dia de cada vez, com vigor e fé em nossos corações clamando por luz e sabedoria divina, para nortear nossas ações.

Para dentro da Toca passamos a olhar, surpresos mais uma vez ficamos, quando observamos que, muitas coisas desconhecíamos, pois na correria do dia a dia não tínhamos tempo para perceber. Pais e filhos passaram a interagir e o processo de descoberta e refinamento processou-se. Laços afetivos ficaram mais fortalecidos, outros foram rompidos no calor de severas discussões, alguns casais mais alinhados ficaram, porém vários divórcios aconteceram. A solidão tomou conta de muitos corações e sentimos o amargor das ausências, a dor das saudades.

Hoje conscientes estamos da preciosidade de um abraço, de um afago, da força do amor, criando elos, que se alongam e abraçam, unindo os homens em prol de um objetivo comum. Nossa Gratidão a toda equipe da saúde, que desafiaram a todas as adversidades no enfrentamento desta moléstia.

Mergulhamos em nosso interior e em nossos avessos estavam estampadas as nossas fragilidades, nossas carências, nossos padecimentos. Curvados ficamos diante de nós mesmos, vergamos mas  não quebramos, pois segundo Nietzsche “O QUE NÃO ME FAZ MORRER ME TORNA MAIS FORTE”. Sim certamente estamos mais fortalecidos, principalmente quem na fé em Cristo se revigorou.

Em nossos avessos também nos defrontamos com as mudanças que sucederam em nosso interior. Somos seres em construção contínua, a dor certamente nos amadureceu, nossos valores são outros neste momento. Só o tempo poderá nos dizer como será o nosso amanhã, porém sabemos que devemos valorizar os momentos de paz e muito amor, pois eles são o alimento de nossa alma.

Na Toca permanecemos e em meio a tudo que vivenciamos, muitas mudanças e aprendizados ocorreram, foi um despertar no meio da dor, que nos alertou e nos mostrou que a potência de nossa força interior está sustentada em nossa fé de que somos capazes, essencialmente se estiver amparada no amor e na sabedoria divina.

Claudete de Morais, 23/12/2020

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