O Preço do Bonzinho

Deixar aflorar o que está prestes a explodir,
Deixar borbulhar, como se fossem bolhas de sabão,
A encantarem e desenharem no ar, um lindo bailado de forma leve e solta.
Quebrar a esfinge que encobre os verdadeiros sentimentos.
Máscara moldada pelos desejos do grande outro.
Molde que sufoca os reais desejos em beneficio deste outro.
Quebrar, raspar, esta massa que se mistura com o meu “eu;”
Enfim, deixar florir este ser, que está adormecido, encolhido, por ser “Bonzinho”.
O “Bonzinho” tem dificuldade de dizer ”não”, tem receios de desapontar as pessoas.
O “Bonzinho” acolhe, é prestativo, corresponde ao nível de expectativa do outro.
O “Bonzinho” vive a dizer sim para o outro e, “Não” para ele mesmo.
Muitas vezes serve de tapete para o outro pisar, pois o “Bonzinho” não pode sentir raiva e nem rebelar-se.
Neste processo de autoagressão e destruição, ilude-se com o ganho secundário, de ser apenas “Bonzinho”.
Acredita que, ser “Bonzinho” é a representação de ser amado, mas que espécie de amor é este? Que mutila, transformando-o em robô dos desejos do outro.
Que preço alto, paga o “Bonzinho”.
Deixar de ser “Bonzinho” implica em mergulhar no mar de nossas paixões.
Deixar a correnteza seguir o seu rumo, sem reprimi-la, encantando-se com ela.
Ir ao encontro de si mesmo.
Ouvir a si próprio, sentir suas reais emoções, efetuar leituras do que esta acontecendo com você, fazer suas escolhas, sem preocupar-se se vai frustrar alguém, priorizando-se. Deixar de ser “Bonzinho” pode representar a conquista do respeito por si mesmo. Deixar de ser “Bonzinho” significa romper com as amarra, ser apenas você mesmo.


Autoria:Claudete de Morais

Psicóloga.

Doutoranda em Psicologia Clinica.

CRP/12/01167

  • imagem

Comentários

--Nenhum comentário no momento--

Novo comentário

Observação: Seu comentário será moderado antes de ser exibido aqui.