Setembro Amarelo - Texto Claudete de Morais

Setembro Amarelo

No florescer da primavera, a natureza se transforma, embelezando o meio ambiente com o florear colorido das flores, que emanam seu perfume seduzindo a todos. É a vida que emerge, em meio a uma sinfonia em movimento. Diante deste espetáculo, nos surpreendemos com a vida que se finda, pela iniciativa do próprio ser.

Depressão, pressão interna gerada por uma explosão de sentimentos, produtores de mudanças comportamentais, limitadoras da vida do ser humano. A depressão clássica é caracterizada pelo: sentimento de tristeza, perda do interesse pelas as atividades que desenvolvia com prazer, variação do sono, (insônia ou excesso de sono), alteração na alimentação e na libido, perda de energia e muito cansaço, irritabilidade, perda da autoestima, somada ao sentimento de culpa sem motivos aparentes, dificuldade de atenção e concentração. Estes são alguns dos sintomas neste tipo de depressão.

O depressivo mergulha no mar da tristeza, fruto de seu vazio existencial, da desesperança que contamina este ser. Fatores estes que o forjam ao isolamento. Pensamentos recorrentes tumultuam sua mente levando-o a profunda prostração e em alguns casos à ideação suicida. Segundo a Organização mundial de saúde (OMS), até 2020 a depressão poderá ser considerada a segunda maior ameaça à saúde humana, sendo a primeira, as doenças cardíacas. Assim a depressão pode ser reconhecida como um problema de saúde pública.  De acordo com o Ministério da Saúde, os suicídios aumentam 2,3% em um ano e o Brasil tem um caso a cada 46 minutos. Este quadro é o motivador do alerta a esta séria doença, deflagrando ações como estas: campanhas, SETEMBRO AMARELO, que visa à conscientização sobre a prevenção do suicídio. Com a proposta de associar a cor ao mês que marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, 10 de setembro.

 Estes dados revelam o flagelo, o temor que nos assombra, portanto a pergunta seria: Como chegamos a este quadro de saúde mental?

 A dificuldade que o depressivo tem em falar sobre seus sentimentos, por sentir vergonha em apresentar tais sintomas, o desconhecimento e o preconceito, sobre este transtorno, foram causas determinantes para atingirmos esta realidade.

Na contemporaneidade o reconhecimento é de quem brilha, os aplausos pertencem aos vencedores. Que por sua vez disputam nas mídias as mais esplendidas imagens, no mundo atual não tem espaço para as fragilidades humanas. As pessoas tendem esconder embaixo de seus tapetes, suas dores, preocupações, angustias. Sufocar, negar nossos medos e apreensões, não contribuirá para a remoção dos mesmos, ao contrário a tendência é agravá-los. Falar sobre nossas dores pode ser libertador, evitando o desencadear de transtornos de ansiedade, como: síndrome de pânico, fobias, depressão, etc.

 Indiscutivelmente até hoje existe um estigma contra a depressão, pois ainda é considerada por algumas pessoas leigas, como fraqueza ou falha de caráter.  Cabe a todos, esta tarefa de repassar informações sobre a mesma, engajamento às campanhas, respeito ao que padecem com esta doença, pois a cada dia se amplia o número de suicídios, atingindo as mais diversas faixas etárias, da adolescência ao idoso.  

Partindo da premissa que a natureza alimenta, aquece e acolhe os seus habitantes, desejo que neste mês possamos acolher, abraçar e plantar, nos corações destes seres as sementes do amor, da alegria, da fé, o que certamente reforçará a autoconfiança, a autoestima dos mesmos.  Assim revigorados conseguirão romper com as amarras do sofrimento engendrando a transmutação para um viver com leveza e alegria.

 

Claudete de Morais.
Psicóloga. CRP 12/01167

 

 

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Comentários

Gustavo
06/09/2019
Que lindo texto!
Jeani
06/09/2019
Belas palavras, com conhecimento
Ana
11/09/2019
Que lindo, que texto
Patricia
11/09/2019
Parabéns pelas palavras

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