Vidas Entrelaçadas

Ao repousar meu olhar no vaso do Bambu da Sorte, que tenho em meu consultório fiquei a observar os diversos caules que se entrecruzam dando á planta um formato altivo, tendo no alto da mesma a explosão de suas folhas verdes brilhantes e transbordantes.
Nesta contemplação mergulhei e, refleti sobre a 1ª lição desta planta: “Se curva, mas não quebra”, de uma antiga lenda Zen budista,” As 7 Verdades do Bambu”.
Conjecturei sobre quantas vezes acreditamos que estamos vergando e que só sobrarão os cacos, mas para nossa surpresa nos reerguemos, prova que nossas raízes são fortes e sobrepujamos a dor. Descobrimos também, a importância de sermos flexíveis e menos duros com nós mesmos, pois o aprendizado se faz pela curvatura, quando temos que 
olhar para dentro de nós mesmos, sentir o gosto amargo do medo de fragmentar e, com humildade compreendemos que a fragilidade pode ser só aparente se, na sabedoria do vazio encontrar o eco, dos nossos desejos de superação.
Ao abrirmos o livro de nossas vidas, nos deparamos com a trama de nossa história, conferimos então, os diversos entrelaçamentos que ocorreram ao longo dos anos. Quantos atalhos sustentados pelo entretecer dos braços fortes, nos alimentando com afagos e motivando a olhar para o alto, para continuarmos a crescer.
É no entrançar do individuo com o meio, que crescemos, sofremos, vibramos, amamos e ensinamos. São as garras vigorosas que nos sustentam e nos impulsionam para mais experiências vivenciarmos. Neste processo a transformação ocorre, dentro e fora do homem.
Para permanecermos exuberantes, como esta planta que requer muito água, necessitamos da interação com o outro, pois somos seres em construção. Com ele vamos tecendo trocas, urdindo laços afetivos refinando esta obra, que vai se enredando, com outros caules ressignificando, a nossa história.
Vidas entrelaçadas, que se abraçam e muitas permanecem unidas até o ultimo suspiro de vida. Outras se enlaçam por períodos curtos, longos, mas ao se destrançarem deixam marcas e perfumes na história de cada um. Assim continuamos nossa jornada, efetuando leituras e aprendizados com nossas tranças. Claudete de Morais.  

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